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sábado, 6 de dezembro de 2008

Jogo da Velha Tridimensional




Este jogo foi apresentado no 10º Encontro Municipal de Matemática e desenvolvido com os alunos da 8º série na Escola Municipal Paul Harris. O objetivo e as regras do jogo estão descritos abaixo.








OBJETIVO: O jogo explora conceitos de linha horizontal, vertical e diagonal, organização de raciocínio, elaboração de hipóteses, análise de probabilidades e checagem de resultados. Além disso, desenvolve a visão espacial, pois força o participante a olhar os outros planos e não só o primeiro, como no modelo tridimensional.

REGRAS: O jogo é disputado por duas ou três crianças. No caso de uma dupla,
cada jogador recebe 13 peças e quem começa a partida coloca uma a mais.
Com três jogadores, cada um fica com nove peças. A partida começa
com as bandejas vazias e inicia quem ganha na sorte, como no par-ou-ímpar.
◗ O objetivo é fazer o maior número de alinhamentos, seja na vertical,
na horizontal ou na diagonal. Para isso, também vale contar com
as peças de outros andares, ou seja, o alinhamento pode ser feito
em três dimensões.
◗ O primeiro jogador escolhe um lugar para colocar a sua peça.
O segundo seleciona outro espaço. O terceiro faz a mesma coisa.
Os movimentos prosseguem até todas as casas serem ocupadas.
◗ Ganha quem fizer o maior número de seqüências de três peças em linha reta.
Vale lembrar que, ao se considerar todos os andares, uma mesma peça pode
compor mais de uma seqüência. Na hora da contagem, provavelmente, os participantes enxergarão algumas que não tinham notado durante a partida.

Poesia na Matemática

O quociente e a incógnita

"Às folhas tantas do livro de matemática, um quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do ápice à base.
Uma figura ímpar olhos rombóides, boca trapezóide, corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida paralela a dela até que se encontraram no infinito.
"Quem és tu?" - indagou ele com ânsia radical.
"Eu sou a soma dos quadrados dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa".
E de falarem descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs, primos entre-si.
E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Nos jardins da quarta dimensão, escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do universo finito.
Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas e, enfim, resolveram se casar, constituir um lar mais que um lar, uma perpendicular.
Convidaram os padrinhos: o poliedro e a bissetriz, e fizeram os planos, equações e diagramas para o futuro, sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos e foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.
Foi então que surgiu o máximo divisor comum, frequentador de círculos concêntricos viciosos, ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, quociente percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era o triângulo tanto chamado amoroso desse problema, ele era a fração mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade, como, aliás, em qualquer Sociedade ..."

Millôr Fernandes